Como é horrível olhar para uma folha de papel em branco… A vontade de agarrar numa caneta e rabiscar mil e uma palavras, expressar emoções, revelar sentimentos. O branco, o vazio, o nada! Porque o deixamos existir na nossa vida, se não o permitimos numa simples folha de papel? Pois sim, é isso que a nossa vida é: uma folha de papel, uma tábua rasa, uma bola de plasticina. E somos nós, nós é que temos de escrever na folha, empilhar blocos na tábua e moldar a bola de plasticina! É verdade que cansa e tudo pode mudar o que fazemos. Basta uma gota de água na folha de papel para tudo ficar manchado, uma simples gota pode destruir a escrita de um dia, uma semana, um mês, um ano, uma vida! Basta uma pequena brisa para mandar ao chão todos os blocos que empilhámos, uma simples aragem pode destruir a construção de uma vida, a razão do nosso existir. Basta um toque naquilo que moldámos para o destruir ou alterar, para mudar o rumo da nossa vida, para mudar o nosso caminho. E não está nas nossas mãos impedir tudo aquilo de acontecer, todos os que nos rodeiam têm força e capacidade para mudar a nossa vida, uns porque nos querem bem e a melhoram, outros porque nos querem mal e a pioram. CHEGA PARA MIM! Estou farta de todos aqueles que me tentam amassar a folha de papel, desmontar a construção ou destruir a minha moldagem! Só quero aqueles que a melhoram, aqueles que pegam na minha mão e me ajudam a continuar a minha escrita, a empilhar os meus blocos e a moldar a minha peça de plasticina. Obrigada a todos os que trazem novas canetas, novas formas e novas cores, são vocês que melhoram o rumo da minha vida e que a tornam uma VIDA!
Durante algum tempo, julguei não merecer nada mais do que tinha, apenas ser reconhecida pelo meu trabalho e o meu valor estar representado na pauta no fim de cada período. Não havia ninguém que me fizesse sentir importante, essencial ou simplesmente meritória de sonhar e querer mais… Até aparecerem vocês! Não posso escrever nomes, são demasiados e correria o risco de me esquecer de alguns. Muitos há muito já estavam na minha vida e, talvez já me dessem o valor que eu não sabia ter, mas só mais tarde comecei a olhar-me com outros olhos; vendo-me ao espelho via alguém que merecia sonhar e lutar pelo que deseja, voar pela imaginação, esforçando-se por ser feliz, mas outras vezes apenas deixando-se levar pelo vento; mergulhar num mar de alegria, remar contra a maré ou ir com a corrente, consoante o que achasse melhor para mim… Agora tenho opção de escolher, sei o que valho e sinto-me melhor pessoa desde então. Sou alguém, na minha vida e não sou… Aprendi que sou capaz de mudar o mundo, ou pelo menos, o MEU mundo. Guardo-o na minha mão, rodo-o ao meu ritmo, lido com ele à minha maneira. Sim, eu bem sei, o mundo é uma bola saltitona, umas vezes vai mais alto, mas outras encontra algo que a pára e a deixa lá em baixo, mas agora eu sei apanhá-la e elevá-la bem lá em cima, pois só assim posso aproveitar a minha vida, pondo todos os meus objectivos bem no topo e depois, subindo a escada que a minha família, os meus amigos e o meu namorado me constroem dia após dia, ir trepando, degrau a degrau, passo a passo…até ao infinito. Se poderia chegar lá mais rápido? Sim, talvez… Mas não deixo ninguém para trás. Se um amigo foi um degrau que me ajudou a subir um pouco, eu serei o mesmo para ele a seguir. Ninguém fica abaixo de mim, todos sobem comigo, todos chegarão ao fim…
Claro que me podem acusar de alguns já terem ficado para trás, mas talvez não fossem tão amigos como diziam ou eu pensava. Talvez eu tenha dado tudo por eles, quando simplesmente não mereciam ou apenas me usaram para subir mais uns degraus, esquecendo-se de mim lá em baixo. Sim, isso aconteceu, muitas pedras me foram atiradas… Mas juntando-as todas, consigo olhar para vocês e, no meu mundo, agora, essas estão bem lá em baixo. Não gasto nem mais uma linha com elas, não o merecem.
A todos os que ainda comigo estão, que me ajudam a subir, a sonhar, a VIVER, não direi obrigada, pois isso não basta. Direi, vocês são o MEU MUNDO, cada um de vocês é a peça que completa o puzzle do meu coração, do meu olhar, da minha sensação de exisitir. Não vos deixarei para trás, tal como não me deixaram a mim. Amor é pouco, mas já é algo para mostrar aquilo que foram, são e serão nesta vida que apenas o é por vocês estarem aqui.

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